Balança comercial de Mato Grosso do Sul tem saldo em fevereiro, mas Governo monitora mercado externo

Nos dois primeiros meses de 2020, a balança comercial de Mato Grosso do Sul teve superávit, com saldo de U$ 210 milhões em fevereiro. Apesar do resultado positivo, o cenário é de preocupação para março, devido à grande instabilidade do mercado mundial com efeitos causados pela expansão do novo coronavírus em todo o mundo.

 

Os dados da balança comercial no primeiro bimestre são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior compilados na Carta de Conjuntura publicada pela Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

 

A celulose, mesmo se mantendo como principal produto exportado pelo Estado, registrou queda de 6,7% nas exportações no primeiro bimestre de 2020 comparado ao mesmo período de 2019. Apesar de aumento no volume exportado, de 808 milhões toneladas frente a 682 milhões de toneladas no ano passado, o faturamento foi de U$ 316 milhões, menor que os U$ 339 milhões alcançados em 2020.

 

“Apesar da taxa média do dólar de R$ 4,34 em fevereiro, o faturamento recorrente das exportações de celulose caiu devido à queda do preço pago pelo produto. Com a atual situação econômica, a tendência é de aumento dos estoques da celulose na China, que atua com baixa produção industrial, podendo afetar as exportações nos próximos meses”, explica o titular da Semagro, secretário Jaime Verruck.

 

As exportações de carnes bovina e de aves também cresceram 9,7% e 48,3% respectivamente nos dois primeiros meses, reflexo ainda de abertura de mercados. Porém, com futuro incerto devido a alteração na demanda internacional e manutenção dos estoques. “Estamos monitorando uma série de variáveis que podem influenciar nas exportações estaduais, como logística, estoques e demandas dos nossos produtos”, afirma o secretário.

 

Seguindo a tendência de alta, as exportações de minério de ferro cresceram 117,8% nos dois primeiros meses de 2020 quando comparado com o mesmo período do ano passado. Representando 4% da pauta de exportações do Estado, as exportações de minério de ferro somaram 632 milhões de toneladas e U$ 26,3 milhões.

 

Devido a sazonalidade do período, as exportações de milho e soja caíram 63% e 79% respectivamente. Enquanto que as exportações de algodão cresceram 229% entre janeiro e fevereiro de 2020 comparado ao mesmo período do ano passado.

 

Apesar dos efeitos do coronavírus na China, em fevereiro houve aumento de 12,2% nos envios de Mato Grosso do Sul para o país. As exportações também cresceram para Hong Kong (34,2%), Coreia do Sul (291,8%) e Japão (110%).

 

Em relação as importações houve aumento na compra de gás natural, de 37%, atingindo 61% de tudo o que é comprado de outros países. Porém, a Petrobras abriu mercado para que outras empresas negociem gás natural diretamente com a Bolívia, reduzindo suas importações para 20 milhões de m³/mês, o que deve alterar o volume de importações nos próximos meses.

Centro Internacional de Negócios leva para empresários de Corumbá curso sobre novos termos de negociação internacional

O CIN/MS (Centro Internacional de Negócios de Mato Grosso do Sul) realizou, no fim de semana, na sede do Sesi de Corumbá, o curso sobre os novos termos padrões de vendas internacionais, os chamados Incoterms, que contou com o apoio do Sebrae/MS. A coordenadora Nathália Alves dos Santos destaca que os profissionais do município precisam se manter atualizados em relação as mudanças das regras emitidas pela Câmara Internacional do Comércio (ICC).

 

“Os termos são fundamentais em qualquer negociação internacional, principalmente em Corumbá que, em razão da fronteira com a Bolívia, concentra um grande número de despachantes aduaneiros do Estado e os transportadores internacionais. A intenção é que as empresas conheçam a fundo os Incoterms. A ideia de levar esse curso é para ampliar os horizontes das empresas, capacitá-las e detalhar as obrigações para que elas possam, no momento de assumir um serviço, saber os riscos daquela operação”, detalhou Nathália Alves.

 

O evento foi voltado tanto para quem já atua no comércio exterior há muito tempo, quanto para quem está começando ou pensando em começar, pois os termos atualizados são válidos até 2030. O objetivo foi apresentar as principais alterações dos termos de venda, que regulam as obrigações de cada uma das partes (comprador e vendedor) em relações comerciais internacionais às empresas de Mato Grosso do Sul. As regras são atualizadas a cada dez anos e entrou em vigor desde 1º de janeiro deste ano.

 

O especialista em comércio exterior Gabriel Segalis, responsável pelo curso, explicou que em inglês a sigla Intercoms se refere a International Commercial Terms, e em tradução livre é Termos Internacionais de Comércio. “O domínio sobre as Intercoms é essencial para desenvolver a capacidade de análise, planejamento, implementação e controle das atividades relacionadas à exportação e importação”, relatou.

 

Ele completa que os Inconterms estão basicamente relacionados ao valor que um produto deve ser comercializado. “Por isso, é fundamental dominar o assunto já que é um dos itens mais importantes do comercio internacional, ou seja, para quem compra e para quem vende. Na hora que eu fecho o negócio, se eu não sei em que ponto do percurso o produto é de minha responsabilidade ou eu não sei o que estou pagando, na realidade, eu não sei o que estou fazendo”, argumentou.

 

A despachante aduaneira Hellem Cristina Claro Cupertino, da empresa Líder Assessoria Despacho Aduaneiro, comenta que o curso foi proveitoso. “Muito válido para nós podermos nos atualizar. Por mais que façamos processos repetitivos, geralmente são os mesmos Incoterms, muda uma coisa ou outra, mas nós nunca sabemos tudo e é de extrema importância conhecer todos os detalhes”, finalizou.