Indústrias sucroenergéticas de Mato Grosso do Sul aumentam produção de etanol em 24,5%, segundo dados do Biosul

As 19 indústrias sucroenergéticas de Mato Grosso do Sul produziram, durante a safra 2018/2019, mais de 3,27 bilhões de litros de etanol, o que representa um crescimento de 24,5% em relação à safra anterior, consolidando o Estado como o 3º maior produtor nacional. Os dados foram divulgados pelo presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda, durante coletiva de imprensa realizada ontem (22/04), em Campo Grande (MS).

 

“Nosso mix de produção nessa safra foi muito mais voltado para o etanol por uma questão basicamente de mercado, sendo 15% de açúcar e 85% de etanol. Temos uma concorrência muito forte de açúcar com outros países e o preço acabou baixando, sendo mais interessante voltar a produção para o etanol. Além disso, vale a pena destacar que do total de etanol que produzimos, 10% ficam em Mato Grosso do Sul e 90% vão para outros Estados”, explicou Roberto Hollanda.

 

Ainda conforme o presidente da Biosul, o consumo de biocombustível em Mato Grosso do Sul ainda é pequeno, mas existe a perspectiva de melhora graças ao Renovabio, um plano nacional de biocombustíveis do Governo Federal para etanol, biodiesel e bioquerosene de aviação. “É um programa que busca incentivar o consumo de biocombustíveis sem ser em forma de impostos ou subsídios. Ele prevê de maneira muito inteligente até 2030 dobrarmos a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. Esse é um alento muito grande para o segmento e pode trazer um novo momento para o País num contexto de recuperação do segmento”, acrescentou.

 

Roberto Hollanda também destacou a influência das chuvas sobre os resultados da safra. “Nós saímos de uma safra muito ruim, que foi a de 2017/2018, por causa de chuvas inesperadas e fortes de geadas, e agora registramos um aumento de 5,4%, com um total de 49,5 milhões de toneladas processadas, o que nos consolida como o 4º maior Estado produtor de cana moída do País”, completou.

 

Ele aproveitou para informar que o segmento sucroenergético no Estado é responsável por gerar 32.191 empregos diretos e 96 mil indiretos, a segunda maior massa salarial do setor produtivo e a maior massa salarial da indústria do Estado. “Vale destacar aqui a importância do Sistema S para a qualificação dos profissionais que atuam no segmento. Nós eliminamos o corte manual e precisamos de pessoas preparadas para usar adequadamente os equipamentos. Para isso contamos com o apoio do Senai para diversas capacitações em parceria com as usinas”, ressaltou.

 

Durante a coletiva, também foi divulgada a estimativa da Biosul para a safra 2019/2020, que iniciou em 1º de abril deste ano e vai até 31 de março de 2020. “Projetamos atingir 51 mil toneladas processadas, um crescimento de 3% da safra atual, com 16,38 toneladas por hectare. É um número significativo, mas que pretendemos melhorar, pois já chegamos a 80 toneladas de média. Além disso, esperamos produzir 1,1 toneladas de açúcar e 3,2 bilhões de litros de etanol, com um mix de 15% da produção voltada para açúcar e 81% para o etanol”, finalizou Roberto Hollanda.