Recursos para ciência, tecnologia e inovação estão assegurados para 2022, diz Izalci

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) assegurou aos empresários que compõem a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) que o Orçamento de 2022 contemplará recursos para investimentos na área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Ele participou nesta sexta-feira (3) da reunião de líderes da MEI, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Os recursos para ciência e tecnologia estão garantidos para 2022. Sou vice-presidente da Comissão de Orçamento do Senado e já fizemos acordo nesse sentido. Não aceito nenhuma interferência nessa questão. Vamos obstruir tudo se o acordo não for cumprido”, enfatizou.

 

O senador aproveitou para criticar a forma como o Ministério da Economia tem lidado com o orçamento de inovação – a pasta promoveu uma série de cortes de recursos para CT&I, inclusive aqueles do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), cujo contingenciamento é vedado por lei.  “Infelizmente quem manda no governo é o Ministério da Economia, que não tem a mínima sensibilidade com ciência, tecnologia e inovação, que, sem dúvida, é a base para o desenvolvimento do país”, pontuou.

 

Plataforma vai impulsionar a inovação

 

Presente à reunião virtual, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, anunciou a criação de uma plataforma com um conjunto de seis redes voltadas para o desenvolvimento da CT&I: rede de suporte; de formação profissional e tecnológica; de pesquisa; de inovação; de produtos; de vetores. “Essa plataforma vai gerar uma sinergia muito grande para a ciência, tecnologia e inovação no Brasil, com vantagens para pesquisas e para empresas venderem produtos, e para a qualificação de pessoal preparado para trabalhar no setor”, destacou.

 

Pontes comentou também que tem se empenhado para garantir a liberação de recursos do FNDCT para projetos de pesquisa e inovação. Segundo o ministro, os recursos do fundo serão imprescindíveis para a construção do Centro Nacional de Tecnologia de Vacinas, em Belo Horizonte, cujas obras serão iniciadas em 2022.

 

Papel importante da MEI na propagação da cultura de inovação

 

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, ressaltou, durante a reunião, que a MEI teve papel importante ao longo do ano na disseminação da cultura e fortalecimento do ambiente de inovação junto às indústrias brasileiras. “As soluções que encontramos para enfrentar este segundo ano de pandemia são uma demonstração da nossa resiliência e da nossa imensa capacidade de vencer as adversidades”, disse. “Os resultados alcançados até agora mostram que devemos prosseguir com o trabalho em defesa de uma agenda consistente de apoio à inovação no Brasil. Isso é fundamental para a recuperação da economia e para a volta do crescimento sustentado”, acrescentou.

 

Robson Andrade observou também que a CNI e a MEI tiveram atuação decisiva na articulação para a admissão do Brasil como Estado-Membro Associado da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), um dos maiores e mais avançados centros de pesquisa do mundo. Com o voto favorável dos 23 Estados-membros, o conselho do CERN aprovou a admissão do Brasil, abrindo caminho para a formalização de acordos com países que fazem parte da instituição.

 

“O estreitamento dos laços com o CERN deve impulsionar projetos que já vêm sendo desenvolvidos em parceria com o Brasil, como os que envolvem o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM, por meio do Sirius, e criar oportunidades em novas áreas de interesse da indústria brasileira”, afirmou o presidente da CNI.

 

Presente à reunião, o diretor de Finanças e Recursos Humanos do CERN, Raphael Bello, fez uma apresentação sobre as oportunidades para a indústria diante do ingresso do Brasil como membro do CERN. “O Brasil tem um vasto setor industrial, com empresas líderes em áreas relevantes para o CERN, como eletrônica, mecânica, distribuição e controle de energia, sistemas de refrigeração e gás, além de empresas de extração e transformação de metais relevantes”, disse. “Com a coordenação nacional apropriada e o aproveitamento das plataformas e conexões nacionais existentes, a indústria brasileira tem comprovado potencial para parcerias industriais e compras no CERN”, completou.

 

Especialista inglesa defende investimentos públicos em inovação

 

A reunião também contou com a presença da economista e pesquisadora Carlota Perez, da Universidade de Sussex, no Reino Unido. Ela ressaltou a importância do Estado para alavancar investimentos do setor privado em CT&I e defendeu que a América Latina, em especial o Brasil, almejem estratégias mais ousadas de desenvolvimento baseadas na inovação. “Vejo uma janela de oportunidade múltipla disponível para os países que podem construir capacidades técnicas e que possuem recursos naturais abundantes e grande biodiversidade, o que é o caso do Brasil”, pontuou.

 

O CEO da GranBio, Bernardo Gradin, apresentou a agenda da MEI voltada para inovação e sustentabilidade. Ele observou que o mercado tem cada vez mais cobrado um consumo sustentável. “Para que as nossas empresas cresçam precisamos aproveitar uma nova onda de inovação verde”, frisou. Gradin estará à frente do Grupo de Trabalho de Inovação e Sustentabilidade da MEI, que será constituído em 2022. “O Brasil pode liderar a transição energética e a indústria tem papel fundamental para nos conduzir a uma economia de baixo carbono”, alertou.

 

Balanço positivo de 2021

 

Durante esta que foi a última reunião de líderes da MEI de 2021, o presidente do Conselho de Administração da Ultrapar e líder da MEI, Pedro Wongtschowski, fez um balanço das ações realizadas pela MEI ao longo do ano. Ele mencionou o trabalho de cada grupo de trabalho e as agendas de políticas e governança realizadas pela MEI, que é coordenada pela CNI e reúne mais de 300 das principais lideranças empresariais do país.

 

Wongtschowski também apresentou um calendário para 2022, com destaque para o 9º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, que será realizado nos dias 9 e 10 de março, em São Paulo. “A MEI continua prestando um ótimo serviço ao país. Dessa forma, a CNI ajuda as empresas brasileiras a se modernizarem e a incorporaram a inovação ao seu processo, o que é fundamental para que sobrevivam e tenham planos de longo prazo”, destacou.