Economia: Presidente da Fiems, Sérgio Longen, vê com preocupação alta da Selic

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, avaliou como preocupante a elevação da taxa básica de juros para 13,75% ao ano, após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Na avaliação do líder empresarial, o cenário de alta na Selic compromete a capacidade de investimento das empresas privadas e traz riscos de inadimplência aos financiamentos já contratados.

 

 

“Para combater a inflação, o governo eleva os juros, algo que entendemos como único remédio a ser utilizado. No entanto, isso tem um limite aceitável. No nosso entendimento, esse limite começou a ser ultrapassado. Isso mata a atividade e coloca em risco quem já contraiu dívidas com juros pós-fixados. As empresas vão começar a não pagar os empréstimos, porque é impossível aceitar juros para investimento nessas condições”, afirmou.

 

 

A elevação em 0,50 ponto percentual da taxa Selic veio em linha com o esperado pelo mercado e representa o 12º aumento consecutivo na taxa de juros, alcançando o maior patamar desde novembro de 2016.

 

 

Ao analisar a conjuntura econômica atual, Longen apontou para outro problema que tem inviabilizado novos investimentos: a falta de mão de obra. Mesmo promovendo ações de qualificação profissional gratuitas, o setor privado enfrenta dificuldade para preencher vagas abertas. Uma das razões para a escassez de trabalhadores, na visão de Longen, é a concessão indiscriminada de benefícios sociais.

 

 

“Temos um grande inimigo hoje que são os benefícios sociais criados pelos governos, que acarretam em transtornos, como falta constante de trabalhadores para as empresas de todos os segmentos. Tentamos fazer a qualificação desses desempregados, mas não os encontramos. Não se consegue nem preencher as vagas gratuitas de qualificação”, relata.

 

O presidente da Fiems defende a necessidade de articulação política para alterar os rumos da atual política econômica. “As empresas começam a ter dificuldade de manter seus investimentos privados porque não arruma gente para trabalhar. A gente precisa entender hoje que algo político precisa ser construído para que o governo não continue avançando nessa direção”, conclui.

 

 

O Banco Central sinalizou que o processo de aperto monetário não chegou ao fim e que há possibilidade de um novo ajuste na Selic, em menor intensidade, no próximo encontro que deve ocorrer em setembro.